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Como o pecado da ganância pode destruir o orçamento

 
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O pecado da ganância pode atingir qualquer um de nós
“Nada em excesso”: diz o famoso lema em Delphos, cidade da antiga Grécia, berço da filosofia clássica. A regra de ouro pode ser posta em muitos assuntos, entretanto, nunca se viu tanto o consumismo em crescimento ter feito vítimas em todo o mundo. O equilíbrio financeiro depende de cada indivíduo optar por não consumir hoje, não ter ganância por coisas alheias ou desnecessárias.

O orçamento financeiro é erigido pela disciplina que, por sua vez, emana do bom uso do dinheiro. Os excessos trazem consequências e, o pecado da ganância, infelizmente, pode atingir qualquer um de nós.

Para compreender o consumismo e a ganância que temos como meta em muitas culturas, não somente na brasileira como, também, em diversas partes do mundo, é preciso voltar um pouco na história. Ainda na década de 1930, os EUA estavam mergulhados em uma profunda crise financeira, atualmente, conhecida como a crise de 29. As ações da bolsa de valores de Nova York despescaram absurdamente. O país estava imerso no caos do desemprego e da depressão econômica.

A cultura do consumismo
Para “curar” tamanha doença e por diversos organismos públicos e privados, surgiu o slogan: The American Way Of Life, ou seja, o sonho americano de viver a liberdade, o consumo e os excessos sem limites. A campanha deu certo, o país saiu da recessão. No entanto, a cultura do consumismo deixou marcas por muitas décadas até os dias de hoje.

Um dos maiores expoentes do consumo, do prazer e do mal uso do dinheiro é a cidade de Las Vegas, no deserto do oeste americano. Casinos, drogas, prostituição, crimes e todos os tipos de pecado em um só lugar.

Antes da campanha de mote consumista do American Dream (sonho americano), as pessoas consumavam comprar por necessidade. Quando uma roupa ou objeto quebrava, rasgava, ou parava de funcionar, naturalmente se procurava substituir por um novo. O hábito era comprar o que se precisa, gastar o dinheiro com necessidades.

Com a crescente cultura consumista e, também, do lançamento constante de novos produtos e serviços, a fim de, atender pessoas cada vez mais ansiosas por novos produtos, aos poucos, trocou-se a palavra necessidade por desejo. As pessoas não precisavam mais esperar seus objetos, carros, roupas, eletrodomésticos pararem de funcionar. Cada um poderia comprar e gastar com o que quisesse e quando quisesse. A moda ditaria o consumo; e os consumidores ditariam o que entraria em moda. Um ciclo perigoso e vicioso.

Amor ao dinheiro
O pecado da ganância, portanto, ganhou grande espaço neste momento. Foi permito e induzido à sociedade, em primeiro lugar nos EUA, depois, em diversos países, foi induzido a comprar e gastar, ambicionar coisas e consumir, com a finalidade de preencher desejos. Logo, o campo das decisões passou da esfera racional para a emocional, subjetiva, relativa a cada indivíduo. O dinheiro, portanto, passou a ser objeto de desejo ao viabilizar e proporcionar o consumismo, o ter e o prazer.

O amor ao dinheiro, raiz de todos os males (1Tm, 6,10), tornou-se o foco e fim último em si mesmo. A possibilidade de comprar, gastar e sentir prazer, fez do dinheiro um superstar. Nunca se viu tantas loterias e mega-senas, programas de TV para ser milionário ou filmes e postagens em redes sociais com esbanjamento, gastanças e desperdícios.

A nossa Santa Mãe Igreja ensina que somos administradores dos bens terrenos e, também, do dinheiro. O pecado da ganância não é somente um pecado, mas um pecado capital, ou seja, raiz e fonte de muitos outros pecados.

Sou professor universitário e faço palestras em faculdades e escolas. O que mais ouço dos jovens é o desejo de ser milionário e ganhar dinheiro no futuro. Os jovens e estudantes não têm culpa! É nossa sociedade e nossos valores
que os induzem ao erro.

Ao invés de buscar a realização na vocação, na dureza de um trabalho digno e, quem sabe, muito bem remunerado como consequência. Nada de mal nisto! No entanto, hoje, existem pessoas muito ricas, que moram em palácios, mas vivem como mendigos. Vivem a esperar por amor, afeto e carinho; esperam comprar tais coisas que, aos pobres em espírito, é dado de graça.

“Não ao dinheiro que governa, mas que serve” (Papa Francisco)
A frase do Papa reflete que o dinheiro em si mesmo não é mal, mas o que fazemos dele pode ser do bem ou do mal. Quando abro mão de meus recursos e ajudo pessoas, gero empregos, pago bem meus funcionários, dou qualidade de vida à minha família, procuro consumir de forma moderada, torno o dinheiro meu servo. Quando coloco cifras acima de pessoas; passo por cima de valores e princípios para acumular bens; até por meio de corrupção, agindo assim, faço do dinheiro um mal, um pecado, uma ganância louca e sem sentido.

Bruno Cunha

Economista, Professor e Missionário da Comunidade Canção Nova, Bruno Cunha possui 20 anos de experiência na área de Finanças, Macroeconomia, Mercado Financeiro, Economia, Educação Financeira, Finanças pessoais e Administração Financeira e Orçamentária. Mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade de Taubaté (UNITAU), possui MBA pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atualmente, é professor e assistente de coordenação do curso de Administração na Faculdade Canção Nova (FCN).
 
 
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