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A fofoca rouba a cena do que é essencial

 
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A verdade, ensinada pela fé cristã, direciona-nos ao que é essencial, em oposição à fofoca que mancha a realidade

Um dia desses, li uma manchete, em letras garrafais, que denunciava algo da Igreja Católica. Estava lá, estampada na primeira página do jornal. Ao ler a notícia, até pensei que havia aberto na página errada. Nada da reportagem correspondia à manchete sensacionalista com um tom de fofoca.

Um espetáculo grotesco

Outra situação que se espalha pela TV é a fofoca. Apresentadores, com um olhar malicioso, levantam suspeitas sobre este ou aquele artista. Um está para se separar, outra foi vista com um novo namorado. E por aí vai… Um pouco mais tarde, ainda na TV, a coisa fica mais animada. Uma apresentadora reúne um grupo de fofoqueiros para debater a própria fofoca. O espetáculo chega a ser grotesco. Todos falam ao mesmo tempo, gritam, saem do nada e chegam a lugar nenhum. Piora um pouco quando o sujeito que está no centro do mexerico é encontrado, por telefone, para participar da cena tentando se explicar. Quanto mais explica, mais se complica.

Os animadores desse circo preparam armadilhas, para que o entrevistado se contradiga. Se a audiência sobe, o debate é prolongado. Se a audiência diminui, são chamados os comerciais. Isso lembra aqueles macabros e violentos shows de sangue e morte que serviam de diversão ao povo romano: a luta dos gladiadores.

O ser humano parece ter essa sede de ver o outro morrer. O pior é que é uma sede insaciável! Quanto mais violento o espetáculo, tanto mais a multidão exige novidades estranhas. O martírio dos primeiros cristãos, no Coliseu Romano, jogados na arena aos dentes das feras, era apenas mais uma diversão. Pode parecer coisa do mundo antigo, mas hoje somente trocamos a arquibancada do estádio pelo sofá da sala.

A violência como matéria-prima

Um dos propósitos saudáveis do teatro, desde sua origem, foi elevar à fantasia, à farsa e imaginação aquilo que, muitas vezes, era representado nas arenas de modo real e cruento. Seguiram-se o cinema, a TV, a internet e os jogos eletrônicos. Se pararmos para analisar criticamente o roteiro de alguns filmes que recebemos enlatados, principalmente dos Estados Unidos, perceberemos que a violência continua a ser uma das principais matérias-primas.

Mesmo o filme mais violento, deste ou daquele super-herói, é quase infantil perto das propostas incríveis dos jogos eletrônicos. Um dia desses, vi um menino de cinco anos, grudado na tela do seu computador, fazendo de tudo para vencer um jogo. Ao conseguir fazer o número máximo de pontos, gritou todo feliz: “Finalmente consegui matar a velhinha!”. Seria cômico se não fosse trágico.

Profanação da intimidade das pessoas

Até onde iremos com essa banalização da violência? Até quando seremos cúmplices da profanação da intimidade das pessoas? Você se lembra da causa da morte da princesa Diana em agosto de 1997? Ela estava fugindo dos fotógrafos, que perseguiam seu carro, na saída de um restaurante. Foi uma vítima desse tipo de atitude social que continua a fazer vítimas todos os dias.

Enquanto isso, a fé cristã nos ensina que a verdade liberta e que satanás é o pai da mentira (cf. Jo 8,44). Jesus se apresenta como caminho, verdade e vida (cf. Jo 14,6). Não precisamos simplesmente aceitar essa panaceia diária como se fosse normal. É preciso dizer uma palavra. Quem sabe acendendo a luz da verdade não haja espaço para as trevas da mentira.

Conteúdo extraído do livro “Pronto, falei!”.


Padre Joãozinho, SCJ
Padre da Congregação do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos), doutor em Teologia, diretor da Faculdade Dehoniana em Taubaté (SP), músíco e autor de vários livros.
 
 
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