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Mensagem da CNBB aos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil

 
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Cardeal Sergio da Rocha, presidente da CNBB, ao apresentar a “Mensagem aos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil”, no final da missa celebrada na manhã da sexta-feira, no Santuário Nacional, fez a seguinte declaração:

Queridos Irmãos e Irmãs, aqui reunidos, e os que estão unidos a nós pelas Mídias Católicas que transmitem esta celebração.

Nós, Bispo do Brasil, reunidos aqui em Aparecida, na Assembleia Geral da CNBB, estamos acompanhando com especial atenção e grande preocupação a crise política, econômica e ética que tanto sofrimento tem causado ao povo brasileiro, às nossas famílias, especialmente aos mais pobres.

Nós estamos muito unidos, pela nossa oração e pelo nosso afeto, às nossas comunidades, famílias, irmãos e irmãs que mais sofrem as consequências da crise por que passamos.

Estamos rezando hoje, de modo especial, pelos que participam das manifestações programadas no País, neste dia. Manifestações pacíficas são um direito na sociedade democrática. Devem ser respeitadas e garantidas!

Fazemos um apelo para que ninguém recorra à violência. A busca da justiça que conduz à paz nunca se faz pela violência, seja nas ruas, nas redes sociais ou em outros ambientes.

Nesta ocasião, nós nos dirigimos especificamente aos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, com uma mensagem de solidariedade e esperança que será lida neste momento.

Acompanhemos com atenção!

Cardeal Sergio da Rocha



Eis a íntegra da Mensagem:

AOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DO BRASIL

MENSAGEM DA CNBB

“Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho” (Jo 5,17)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, reunida, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida – SP, em sua 55ª Assembleia Geral Ordinária, se une aos trabalhadores e às trabalhadoras, da cidade e do campo, por ocasião do dia 1º de maio. Brota do nosso coração de pastores um grito de solidariedade em defesa de seus direitos, particularmente dos 13 milhões de desempregados.

O trabalho é fundamental para a dignidade da pessoa, constitui uma dimensão da existência humana sobre a terra. Pelo trabalho, a pessoa participa da obra da criação, contribui para a construção de uma sociedade justa, tornando-se, assim, semelhante a Deus que trabalha sempre. O trabalhador não é mercadoria, por isso, não pode ser coisificado. Ele é sujeito e tem direito à justa remuneração, que não se mede apenas pelo custo da força de trabalho, mas também pelo direito à qualidade de vida digna.

Ao longo da nossa história, as lutas dos trabalhadores e trabalhadoras pela conquista de direitos contribuíram para a construção de uma nação com ideais republicanos e democráticos. O dia do trabalhador e da trabalhadora é celebrado, neste ano de 2017, em meio a um ataque sistemático e ostensivo aos direitos conquistados, precarizando as condições de vida, enfraquecendo o Estado e absolutizando o Mercado. Diante disso, dizemos não ao “conceito economicista da sociedade, que procura o lucro egoísta, fora dos parâmetros da justiça social” (Papa Francisco, Audiência Geral, 1º. de maio de 2013).

Nessa lógica perversa do mercado, os Poderes Executivo e Legislativo reduzem o dever do Estado de mediar a relação entre capital e trabalho, e de garantir a proteção social. Exemplos disso são os Projetos de Lei 4302/98 (Lei das Terceirizações) e 6787/16 (Reforma Trabalhista), bem como a Proposta de Emenda à Constituição 287/16 (Reforma da Previdência). É inaceitável que decisões de tamanha incidência na vida das pessoas e que retiram direitos já conquistados, sejam aprovadas no Congresso Nacional, sem um amplo diálogo com a sociedade.

Irmãos e irmãs, trabalhadores e trabalhadoras, diante da precarização, flexibilização das leis do trabalho e demais perdas oriundas das “reformas”, nossa palavra é de esperança e de fé: nenhum trabalhador sem direitos! Juntamente com a Terra e o Teto, o Trabalho é um direito sagrado, pelo qual vale a pena lutar (Cf. Papa Francisco, Discurso aos Movimentos Populares, 9 de julho de 2015).

Encorajamos a organização democrática e mobilizações pacíficas, em defesa da dignidade e dos direitos de todos os trabalhadores e trabalhadoras, com especial atenção aos mais pobres.

Por intercessão de São José Operário, invocamos a benção de Deus para cada trabalhador e trabalhadora e suas famílias.

Aparecida, 27 de abril de 2017.
 
 
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