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Colunista: Agosto (Doutorando Profº Francisco Vieira da Sailva )

 
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Francisco Vieira da Silva
Graduado em Letras pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Especialista em Ciências da Linguagem aplicadas à Educação a Distância (CLEAD) pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e Mestre em Letras pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Atualmente, é doutorando do Programa de Pós-graduação em Linguística (PROLING) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Membro do CIDADI- Círculo de Discussões em Análise do Discurso. Professor da rede estadual de ensino da Paraíba.



A selfie ou a vida e os limites da autoexposição
Francisco Vieira da Silva

Recentemente, circulou em vários sites da web, mais especialmente em redes sociais como o Facebook, um vídeo intitulado de As 25 selfies mais perigosas de sempre. Em tal vídeo, são dadas a ver selfies - autorretratos tirados por sujeitos em variadas situações -, consideradas inusitadas, na medida em que o sujeito que se fotografa sofre o perigo real de se acidentar gravemente ou mesmo sentenciar a própria morte. As situações mostradas no vídeo vão desde fotografar-se no alto de torres e prédios, bem como próximo a animais selvagens, como girafas, sem qualquer tipo de proteção. O festival de disparates ainda contém fotos, nas quais se aparece com o gatilho de um revólver apontado para o rosto; ao lado de um tubarão raivoso cujos dentes afiados nos causam pavor; na linha férrea com o trem vindo na direção do fotógrafo que faz o registro de si, dentre outras tantas circunstâncias consideradas inapropriadas para demonstrar satisfação (ou desejo!) em fazer um retrato.
O tom espetacular que caracteriza esse vídeo leva-nos a pensar acerca dos limites da exposição de si nos dias de hoje. Isso não significa afirmar, certamente, que todos queiram exibir fotos tão sensacionais e arriscadas, como as demonstradas no vídeo; todavia, tem sido cada vez mais frequente uma série de notícias em que se discursivizam os riscos sofridos por muitas pessoas ávidas pela selfie perfeita. Esse tipo específico de foto circunscreve um cenário ou uma situação insólita e atípica, cujos desdobramentos provavelmente serão corporificados em inúmeras curtidas, comentários, compartilhamentos, nas diversas redes sociais atualmente disponíveis. A vontade de sentir-se, mesmo que por pouco tempo, uma celebridade da web parece sobrelevar-se as ameaças físicas provenientes de situações claramente deflagradoras de perigos. Noutros termos, todo esforço é válido para ser a última novidade da internet.
Pensando nesse exibicionismo para além das selfies perigosas, convém mencionar os efeitos advindos dessa cultura do ser visto na construção das subjetividades contemporâneas. Assim, assiste-se a uma mudança de paradigma, pautada numa mutação de uma cultura da interioridade e da intimidade, alicerçada, principalmente no século XIX, para um tempo em que ser visto constitui a razão principal da construção do ser e estar no mundo, conforme tão bem esclarece a antropóloga Paula Sibilia, em várias publicações a respeito dessa temática. Nesse sentido, parece não haver mais espaço para subjetividades intimistas e introspectivas, quando a ordem do dia é exibir-se, seja como for, nas mais variadas vitrines da mídia.
A publicização da intimidade, em tal cenário, constitui um dos mais preponderantes índices dessa cultura do hiperexibicionismo. Somos consumidores de intimidades, diz o filósofo francês Gilles Lipovestky, ao se referir à produção massiva e à exibição estridente da vida íntima. Como consequência, podemos citar o tom de espanto que muitos apresentam quando inesperadamente alguém confessa não ter perfis nas redes sociais. Tais resistentes compõem uma curiosa fatia dos que fogem ao verdadeiro da época e são, portanto, encarados como diferentes e estranhos.
O paroxismo dessa ânsia contemporânea em se mostrar chega a ponto de se desejar ter o que há de mais íntimo sob os olhos de inúmeros usuários da web. Aludimos, por exemplo, a prática da selfie pós-sexo, fenômeno recente em que se publica na web a foto de um casal (ou mais) que supostamente teria tido uma relação sexual. Além disso, as selfies em outras ocasiões e lugares culturalmente inapropriadas, como velórios e hospitais, têm sido cada vez mais comuns. A necessidade de exibir, com requintes de espetáculo, todas as minúcias da rotina e da intimidade embasa a consecução dessas práticas. O título de um livro do pesquisador norte-americano Neal Gabler parece sintetizar esse quadro: Vida, o filme. Atualmente, mais do que nunca, todos, em potencial, podem transformar suas vidas em relatos audiovisuais, num show do eu, a serem vistos por uma plateia de ‘amigos’ e seguidores.
Tudo isso representa apenas flashes, pequenos enquadres, dos efeitos desencadeados pelas tecnologias digitais nos modos como os sujeitos contemporâneos relacionam-se consigo mesmos e com os outros. Embora não seja possível conjecturar o que virá, ou seja, quais serão as reais consequências desse desejo de exposição, alguns aspectos já podem ser notados. Para o bem ou para o mal, a discussão aqui suscitada não se encaminha nesta direção, há de se convir que estamos passando por um período de turbulências, de reconfigurações, de metamorfoses. Em longo prazo, será possível chegar a conclusões mais consistentes, por enquanto, é preciso arriscar que entre a selfie e a vida, alguns têm optado pela memória dos relatos post-mortem das redes sociais.
 
 
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