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Colunista: Junho (Natercio Pereira da Silva Neto)

 
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NATERCIO PEREIRA DA SILVA NETO NASCEU NO SÍTIO PÔÇO VERDE MUNICÍPIO DE RIACHO DOS CAVALOS-PB, FILHO DE UMA FAMÍLIA HUMILDE DE AGRICULTORES, CRIOU-SE AO LADO DE QUATRO IRMÃOS. POSSUI GRADUAÇÃO EM LETRAS PELA UEPB DE CATOLÉ DO ROCHA-PB (2010), CORDELISTA, É FUNCIONÁRIO PÚBLICO DA PREFEITURA MUNICIPAL DE RIACHO DOS CAVALOS NO CARGO DE AGENTE ADMINISTRATIVO, ATUALMENTE TRABALHA NA CONSTRUÇÃO CIVIL.


TRADIÇÕES JUNINAS: DA ORIGEM AO DECLÍNIO DE SUAS RAÍZES CULTURAIS.

No mês de junho, celebra-se a colheita e a devoção aos santos do mês: Santo Antônio, dia 13 de junho, São João, dia 24 de junho e São Pedro, dia 29 de junho. Essa tradição foi trazida para o Brasil pelos portugueses e espanhóis, por esta razão, no final da safra celebrava-se com cantos, danças, fogos de artifícios e comidas típicas; pamonha, canjica, enfim derivados de milho. Estes eventos tinham caráter democrático, haja vista, que proporcionavam uma integração dos ricos proprietários com os lavradores, com isso havia uma união entre devoção e distração.
As tradições estavam tão enraizadas na cultura dos povos que se refletiam no cotidiano, as relações se integravam como forma de aproximação entre as pessoas, tomando os vizinhos para serem compadres, comadres, padrinhos e madrinhas de fogueira. Consequentemente era uma forma de amenizar conflitos de toda ordem entre vizinhos, propiciando assim uma maior aproximação de povos distintos que migravam de outras regiões e que se uniam a partir de laços culturais. Segundo Luís da Câmara Cascudo “Era uma maneira de os compadres ricos defenderem os compadres pobres e afilhados. Já aconteceu muitas vezes por causa de um compadre pobre, um compadre rico armar um bando de jagunços para tirá-lo da cadeia, e já aconteceu de um compadre pobre voar na frente de um atentado a um compadre rico. O coronel da guarda nacional, Francisco Cascudo meu pai deixou vivos 1005 afilhados e mais de 2000 compadres espalhados pelo Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba.” É notável que essa prática cultural transcendesse do campo político, visto que, se disseminava ao religioso, por exemplo; Padre Cícero Romão Batista de Juazeiro, deixou aproximadamente uns 10 000 afilhados espalhados pelo Nordeste.
Este ritual de apadrinhamento, por assim dizer: ocorria da seguinte forma: Na fogueira quando as labaredas baixavam, restando tão somente as brasas, os futuros compadres e afilhados pegavam-se nas mãos sobre as brasas da fogueira e entoavam os seguintes cânticos: “São João disse e São Pedro confirmou, para ser meu compadre/afilhado que Jesus Cristo mandou”. Em seguida, segurando as mãos, rodeavam a fogueira e tornavam a repetir por mais duas vezes. Na terceira vez, abraçavam-se gritando: “viva São João e vivamos nós, compadres!”.

Nosso Santo Antônio é uma referência a Santo Antônio de Pádua nasceu em Lisboa por volta de 1195, filho de uma família nobre, tendo como nome de batismo Fernando. Começou seus estudos no mosteiro de São Vicente em Lisboa fazendo parte dos cônegos que seguiam a regra monástica de Santo Agostinho, depois foi para o mosteiro de Santa Cruz em Coimbra, renomado centro cultural de Portugal, dedicou-se aos estudos da Bíblia para em seguida direcionar-se ao ensino e a pregação.
Sendo o dia 13 de Junho dedicado a esse Santo, o Santo casamenteiro, isto porque esse Santo franciscano fazia muito discurso a respeito do amor, sendo que de um ponto de vista geral e menos romântico. Algumas lendas populares contam que Santo Antônio ajudou uma donzela pobre que queria se casar, mas não tinha dote, ela foi orientada a ter muita fé e em poucos instantes, moedas de ouro surgiram diante dela, assim finalmente pode se casar. Contam as lendas que em outra ocasião, uma moça devota esperou durante vários anos por um marido, quando já não acreditava mais, jogou a imagem de Santo Antônio pela janela que acabou acertando na cabeça de um rapaz que estava de passagem, tal incidente fez com que ela pedisse desculpas ao rapaz, resultando na aproximação dos dois que acabaram por casar. O fato é que estas histórias fazem parte da tradição oral passada de geração a geração.

PARA FAZER CASAMENTO
O SEU NOME É INVOCADO,
SE ALGO SEU FOI PERDIDO
COM SANTO ANTÔNIO É ACHADO,
NA DATA TREZE DE JUNHO
O SEU DIA É CELEBRADO.

NO ANO NOVENTA E CINCO,
DO SÉCULO DÉCIMO SEGUNDO.
FILHO DE FAMÍLIA NOBRE,
SANTO ANTÔNIO VEIO AO MUNDO.
ENSINAR A HUMANIDADE
A PRÁTICA DO AMOR PROFUNDO.

ESSE SANTO QUE VIVEU
ESTUDANDO NUM MOSTEIRO,
UNIU DIVERSAS PESSOAS
NUM AMOR TÃO VERDADEIRO,
QUE FINDOU GANHANDO O TÍTULO
DE SANTO CASAMENTEIRO.

Já São João Evangelista, cujo nome significa “Deus é misericordioso” nasceu no dia 24 de Junho, e foi o mais jovem dos apóstolos de Cristo, irmão de Tiago Maior, também era pescador como Pedro e André. Sendo um dos primeiros apóstolos.
Jesus tinha certa predileção por João, que o chamavam de “o discípulo que Jesus amava”. Na santa ceia foi ele quem reclinou a cabeça sobre os ombros de Jesus, foi também ele quem esteve com Maria ao pé da cruz e Jesus lhe disse “filho olha aí a tua mãe” e olhando para Maria disse: “mulher eis aí o teu filho”.
Viveu muito tempo na Ásia, onde gozava de muito prestígio, com a anistia geral concedida pelo Imperador Romano Nerva, ele voltou para Efeso, atual Turquia. Os valores dos ensinamentos de João eram enormes já que ele vivenciou a vida de Cristo e sua ressurreição. Morreu quase centenário no final do primeiro século para o início do segundo, já que não se sabe a data exata de sua morte. Suas obras são: O quarto testamento, o apocalipse e as três cartas de João.
Conta a lenda que Isabel, mãe de São João encontrava-se nas montanhas de Judá na companhia de sua prima Maria noiva de José, então Maria combinou com José que quando o filho de Isabel (João) nascesse, acenderia uma fogueira para avisá-lo, por esse motivo, a fogueira é acesa na véspera.

SÃO JOÃO EVANGELISTA
FOI EXEMPLO DE BONDADE,
DISCÍPULO AMADO POR CRISTO,
O PREGADOR DA VERDADE
O MENSAGEIRO DA FÉ,
DOS POVOS DA HUMANIDADE.

EM NOME DESSE DISCÍPULO,
QUE VIVEU DE PREGAÇÃO,
EM VINTE E QUATRO DE JUNHO
POR CONTA DA TRADIÇÃO,
O PESSOAL COMEMORA
O DIA DE SÃO JOÃO.

FOI JOÃO IRMÃO DE TIAGO,
O FILHO DE ZEBEDEU,
DEVIDO A FOGUEIRA ACESA,
NA HORA QUE ELE NASCEU,
A TRADIÇÃO DA FOGUEIRA,
O POVO NUNCA ESQUECEU.

Dia 29 de junho celebra-se o dia de São Pedro, seu nome original era Simão, natural de Betsaida Galiléia, era filho de Jonas e pescador de profissão. Era sócio com seu irmão André e com Tiago e João de uma pequena frota de barcos pesqueiros. Durante um período de baixa estação de pesca, Tiago encontrou Jesus e comentou com Pedro sobre o ¨Messias¨, Simão quis conhecer Jesus e foi observado por ele. Nele Jesus viu um homem autoritário, impulsivo, entusiasmado e franco, bondoso e extremamente generoso. Jesus o elegeu um de seus discípulos e disse: ¨A partir de hoje você vai se chamar Pedro. A partir desse dia Pedro não foi mais pescador de peixes, mas sim pescador de novos homens.
São Pedro foi o primeiro Papa de Roma, verdadeiro pilar de sustentação da igreja católica.

SÃO PEDRO FOI CONDENADO
DO MESMO JEITO DE UM RÉU,
NUNCA LIGOU PRA DINHEIRO
PRA MEDALHA NEM TROFÉU,
QUEM FOI PESCADOR DOS MARES
VIROU PORTEIRO DO CÉU.

SÃO PEDRO GRANDE DISCÍPULO,
DO FILHO DA CONCEBIDA,
QUE VIVEU DE PREGAÇÕES
DURANTE OS ANOS DE VIDA,
A DATA DA SUA MORTE
NUNCA SERÁ ESQUECIDA.

SÃO PEDRO FOI PREGADOR
DAS MARAVILHAS DIVINAS;
PRIMEIRO PAPA DE ROMA
UM MESTRE NAS DISCIPLINAS,
O ÚLTIMO SANTO CITADO
NAS BRINCADEIRAS JUNINAS.

A contemporaneidade distorceu muito do que existia em relação aos aspectos de cultura tradicional de outrora, hoje o que pode se ver são sombras muito mal definidas de todos os costumes e histórias das tradições sertanejas. Hoje é evidente a clara mudança das formas como as pessoas costumam representar os eventos juninos, ocorrendo assim uma desfiguração do âmbito tido como tradicional religioso popular. Quando as festas juninas de tempos passados eram comemoradas com forrós pé de serra de Luis Gonzaga, grande expoente da cultura nordestina e outros como Dominguinhos, Flávio José, Elba Ramalho etc. Poderiam servir de referência para os novos artistas, entretanto, não é isso que ocorre.
Hoje nas festividades juninas tem-se super festas proporcionadas pelos poderes públicos, destacando-se o Ministério do Turismo, onde são priorizadas bandas de forte apelo e conotação sexual, degenerando assim a cultura e a mente das pessoas, criando uma sociedade alheia às suas características culturais próprias.
Corriqueiramente em toda a região Nordeste, as festividades trazem consigo características sistemáticas e semelhantes umas as outras, como por exemplo, nas cidadezinhas do sertão, são montadas grandes estruturas de palco e som, onde são disseminadas verdadeiras ¨atrocidades musicais¨, que em nada acrescentam a cultura popular e a criticidade do público ouvinte.
Segundo o escritor Pedro Nunes Filho ¨Achando pouco, as bandas mais ricas artificializam os palcos com uma verdadeira parafernália de luzes multicores que piscam loucamente, contrastando por completo com a simplicidade da vida sertaneja.
Essa mudança é quase que irreversível, restando apenas alguns poucos representantes, destacando-se em nossa região Assis Rosa, Geraldo Bernardino, entre outros.
Essa inversão de valores se torna uma armadilha a longo prazo, haja vista que os mesmos que incentivam essa ¨aculturação de massa, tornar-se-ão seus principais opressores quando estas modalidades ¨artísticas¨ soarem em discordância aos valores mais tradicionais. Essencialmente os governantes estão priorizando eventos contemporâneos que em nada se assemelham às festas populares de rua, onde há uma maior demonstração social, possibilitando assim uma maior socialização entre as massas.
Os festejos atuais além de propiciarem um empobrecimento artístico, geram uma divisão de classes, havendo uma elitização do evento, onde, os preceitos culturais tornam-se secundários, dando prioridade ao comércio de camarotes, havendo com isso um distanciamento entre ricos e pobres.
A distorção é de tal ordem que nas festividades juninas estão sendo inclusas ritmos que em nada representam o espírito junino como: axé, frevo, pagode, funk, forró metalizado, entre outros.
Com o advento das novas tecnologias todos procuraram se atualizar das novas manifestações alheias ao seu estilo de vida, com a ânsia de se adequarem à grande mídia, esta que por sua vez, estabelece uma ilusória prosperidade. Em detrimento a tudo que foi evidenciado, pode se chegar à conclusão de que os processos ocasionados pela globalização contribuíram negativamente aos valores locais, estes por sua vez devem ser resgatados para que não se percam definitivamente na autêntica história nordestina.

O SÃO JOÃO QUE FOI DESTAQUE
POR VILAS E ARRAIÁS
NO FORRÓ DE PÉ DE SERRA
DE MUITOS ANOS ATRÁS,
UMA TRADIÇÃO DA GENTE
QUE QUASE NÃO SE VÊ MAIS.

COM A INVASÃO DO FUNK,
O SÃO JOÃO FOI TRANSFORMADO,
NÃO HÁ MAIS LUIS GONZAGA
CANTANDO XOTE E XAXADO,
NEM O SÃO JOÃO TEM AQUELAS
MARAVILHAS DO PASSADO.

COM ESSAS MÚSICAS MALUCAS
QUE O MUNDO ESTÁ DIVULGANDO,
SEM PADRINHOS DE FOGUEIRA,
SEM AS PESSOAS SE ABRAÇANDO,
SÃO AS TRADIÇÕES DA GENTE
QUE A MÍDIA ESTÁ SEPULTANDO.

 
 
Comentários (2):
Parabéns, amigo, pelo excelente artigo! Seu texto retoma com riqueza as cores, os sabores e a musicalidade das festividades juninas, ao mesmo tempo que nos convoca a refletir sobre o significado simbólico de nossa cultura. Que não se torne um hábito servir sushi ao invés de canjica como aconteceu este ano em Campina Grande. Isto porque o sushi já tem seu valor cultural associado ao seu país de origem. Mais que oportuna a provocação: "TRADIÇÕES JUNINAS: DA ORIGEM AO DECLÍNIO DE SUAS RAÍZES CULTURAIS".
Invés das pessoas usarem as vantagens do mundo atual ao nosso favor, estão prejudicando o nosso nordeste, fazendo com que sejam esquecidas coisas da nossa cultura. Também estão deixando de associar essas comemorações à religiosidade. Atualmente quando falam em festas juninas nem sequer lembram das crenças que eram passadas de geração em geração de forma serena, automaticamente já fazem projetos que envolvem festas e diversões as quais fogem em grande dimensão dos costumes antigos tais como adquirimos. Infelizmente isso é quase irreversível, fazendo com que pessoas de mentes frágeis considerem coisas fúteis como grandes comemorações tradicionais.
O que restará da nossa cultura?
O que iremos passar para as futuras gerações?
Infelizmente nossa peculiaridade está sendo perdida em meio a coisas insignificantes. Pois se repararmos bem, já não vemos com frequência aquelas atitudes maravilhosas que víamos em um passado não muito distante.
Parabéns pelo artigo!
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