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Dom Hélder: Missa em Olinda (PE) abre processo de beatificação

 
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Celebração presidida por Dom Fernando Saburido reuniu fiéis, autoridades civis e religiosas para marcar o início oficial do processo que pode beatificar Dom Hélder Câmara

Wallace Andrade
Enviado especial a Olinda (PE)

A catedral do Santíssimo Salvador do Mundo, também chamada de Catedral da Sé, em Olinda (PE), ficou repleta de fiéis neste domingo, 3, para a Missa de abertura oficial do processo de beatificação e canonização de Dom Hélder Câmara (conheça um pouco do perfil no fim da matéria)

A celebração foi presidida pelo arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido e contou com várias autoridades civis e religiosas. Entre elas, o arcebispo emérito de João Pessoa e amigo pessoal de Dom Helder, Dom José Maria Pires, que foi o responsável pela homilia e fez memória de quem foi e quem continua sendo Dom Helder Câmara para os católicos e para a Igreja no Brasil e no mundo.

A celebração também foi marcada pela leitura do decreto de constituição do tribunal, feita por Dom Saburido, que também apresentou o grupo de trabalho composto por cinco membros. São eles: o juiz delegado, Dom Antônio Tourinho Neto; o promotor de Justiça, Frei Francisco Fernando da Silva, OFM; o Notário, padre José Josivan Beszerra de Sales; a Notaria Adjunta, irmã Maria Vanda de Araújo; e Cursor, irmã Margarida Maria Couto Silva. Todos fizeram juramento, diante do Evangelho, de buscar a verdade e ser fiel à Igreja ao longo dos trabalhos que irão realizar.

“Queremos que todo o processo aconteça de forma clara e que todas as testemunhas sejam ouvidas. Todos os detalhes são importantes neste momento, já que estamos cuidado das causas de um candidato a santo. Quem conheceu Dom Helder sabe de seu empenho para sempre fazer a coisa certa. Por isso nosso empenho”, disse Dom Fernando Saburido.

Entenda como funciona um processo de beatificação e canonização:

Após a celebração que marcou a abertura oficial do processo de beatificação de Dom Helder, a equipe de trabalho ouviu o amigo pessoal e arcebispo emérito de João Pessoa, Dom José Maria Pires. A primeira testemunha no processo foi ouvida no meio da tarde de ontem e se sentiu honrado em poder falar do amigo.

A expectativa, segundo o juiz delegado, Dom Antônio Tourinho Neto, é a de que essa primeira fase do processo, onde várias testemunhas serão ouvidas, dure de um a dois anos.

Perfil

Dom Hélder Câmara nasceu, em 7 de fevereiro de 1909, em Fortaleza (CE), e teve 12 irmãos. Após entrar muito jovem no Seminário da capital do Ceará, tornou-se padre aos 22 anos.

No Rio de Janeiro desde 1936, Dom Hélder passou a realizar trabalhos assistencialistas, quando fundou departamentos da Igreja voltados para atender os mais necessitados.

Após longo período atuando na então capital do Brasil, Dom Hélder foi nomeado para o Maranhão. Com a morte do arcebispo de Olinda e Recife, foi mandado para Pernambuco, onde desembarcou em 12 de abril de 1964, poucos dias após o golpe militar.

Dom Hélder comandou a Arquidiocese de Olinda e Recife até o dia 10 de abril de 1985, quando – por atingir a idade limite de 75 anos – foi substituído pelo arcebispo José Cardoso Sobrinho. Ele morreu em sua casa, no Recife, em 27 de agosto de 1999, devido a uma insuficiência respiratória decorrente de uma pneumonia. Seus restos mortais estão sepultados na Igreja Catedral São Salvador do Mundo, em Olinda.

Pelo seu trabalho em defesa dos direitos humanos, Dom Hélder recebeu vários prêmios internacionais, como Martin Luther King, nos Estados Unidos, 1970; e o Prêmio Popular da Paz, na Noruega, 1974. O religioso é autor de 22 livros, a maioria ensaios e reflexões sobre o terceiro mundo e a Igreja.
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